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10 de agosto de 2012

UNESP (2012)

Nunca se viu uma campanha como esta, em que ambas as partes sustentaram ferozmente as suas aspirações opostas. Vencidos os inimigos, vós lhes ordenáveis que levantassem um viva à República e eles o levantavam à Monarquia e, ato contínuo, atiravam-se às fogueiras que incendiavam a cidade, convencidos de que tinham cumprido o seu dever de fiéis defensores da Monarquia.(Gazeta de Notícias, 28.10.1897 apud Maria de Lourdes Monaco Janotti. Sociedade e política na Primeira República.)

O texto é parte da ordem do dia, 06.10.1897, do general Artur Oscar e trata dos momentos finais de Canudos. Para o militar, o principal motivo da luta dos canudenses era a

(A) restauração monárquica, embora hoje saibamos que a rejeição à República era apenas uma das razões da rebeldia.

(B) valorização dos senhores rurais, ligados ao monarca, cujo poder era ameaçado pelo crescimento e enriquecimento das cidades.

(C) restauração monárquica, que, hoje sabemos, era de fato a única razão da longa resistência dos sertanejos.

(D) valorização do meio rural, embora hoje saibamos que Antônio Conselheiro não apoiava os incêndios provocados por monarquistas nas cidades republicanas.

(E) restauração monárquica, o que fez com que a luta de Antônio Conselheiro recebesse amplo apoio dos monarquistas do sul do Brasil.

9 de agosto de 2012

UNESP (2012)

“A questão social é um caso de polícia” — esta frase, atribuída a Washington Luís, presidente da República de 1926 até a sua deposição em 1930, é geralmente apontada como o sintoma de como as questões relativas ao trabalho (a “questão social”) eram descuidadas pelo Estado durante o período da chamada República Velha (1889-1930). E, de fato, a questão social era um caso de polícia."(Kazumi Munakata. A legislação trabalhista no Brasil, 1981.)

Explique a frase final do texto, exemplificando-a, e indique a principal alteração que ocorreu no tratamento da questão social pelo Estado, após 1930.

17 de janeiro de 2012

UNICAMP 2a. Fase (2012)

A população brasileira, segundo o censo de 1920, era de 30.635.605 habitantes. O número de votantes, entretanto, era restrito, conforme a tabela abaixo:

População apta a votar, 1920
População
Número
Total
30.635.605
Menos analfabetos, sobram
7.493.357
Menos as mulheres, sobram
4.470.068
Menos os estrangeiros, sobram
3.891.640
Menos os menores de 21 anos, sobram
3.218.243
(Adaptado de http://www.usp.br/revistausp/59/09-josemurilo.pdf. Acesso em 18/10/2011.)

a) Indique duas práticas políticas existentes durante a Primeira República (1889-1930).

b) Cite duas mudanças que ampliaram o eleitorado brasileiro após a Primeira República.

7 de dezembro de 2011

FUVEST 1a. Fase (2012)

“O Estado de compromisso, expressão do reajuste nas relações internas das classes dominantes, corresponde, por outro lado, a uma nova forma do Estado, que se caracteriza pela maior centralização, o intervencionismo ampliado e não restrito apenas à área do café, o estabelecimento de uma certa racionalização no uso de algumas fontes fundamentais de riqueza pelo capitalismo internacional (...).”
(Boris Fausto. A revolução de 1930. Historiografia e história. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 109-110.)
Segundo o texto, o Estado de compromisso correspondeu, no Brasil do período posterior a 1930,

a) à retomada do comando político pela elite cafeicultora do sudeste brasileiro.

b) ao primeiro momento de intervenção governamental na economia brasileira.

c) à reorientação da política econômica, com maior presença do Estado na economia.

d) ao esforço de eliminar os problemas sociais internos gerados pelo capitalismo internacional.

e) à ampla democratização nas relações políticas, trabalhistas e sociais.

6 de dezembro de 2011

UNESP (2012)

A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-se

(A) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às fraudes eleitorais da Primeira República.

(B) à tentativa de implantação de um poder popular, expressa na defesa de pressupostos marxistas.

(C) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à tentativa de derrubar o presidente Artur Bernardes.

(D) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas. 

(E) ao esforço de implantação de um regime militar e à primeira mobilização política de massas na história brasileira.

UNESP (2012)

"Com pouco dinheiro, mas fora do eixo revolucionário do mundo, ignorando o Manifesto Comunista e não querendo ser burguês, passei naturalmente a ser boêmio. (...) Continuei na burguesia, de que mais que aliado, fui índice cretino, sentimental e poético. (...) A valorização do café foi uma operação imperialista. A poesia Pau Brasil também. Isso tinha que ruir com as cornetas da crise. Como ruiu quase toda a literatura brasileira “de vanguarda”, provinciana e suspeita, quando não extremamente esgotada e reacionária."
(Oswald de Andrade. Prefácio a Serafim Ponte Grande, 1933.)
O texto de Oswald de Andrade

(A) expõe o anseio do autor de que a literatura e as demais formas artísticas fossem controladas pelo Estado e escapassem, assim, da tutela da classe social hegemônica.

(B) revela algumas das principais características do movimento modernista de 1922, como a busca da identidade nacional e a adesão a projetos político-partidários de direita.

(C) indica o afastamento gradual dos participantes da Semana de Arte Moderna em relação aos componentes ideológicos de esquerda que caracterizaram o movimento.

(D) explicita a preocupação dos setores políticos e sociais dominantes frente à crise econômica provocada pela alta do preço do café e sua tentativa de regulamentar o setor.

(E) demonstra a defesa, pelo autor, da politização da produção literária e o abandono de parte dos princípios estéticos que guiaram sua obra na década anterior.

UNESP inverno (2011)

(...)
2.º Que seja respeitado do modo mais absoluto o direito de associação para os trabalhadores;
3.º Que nenhum operário seja dispensado por haver participado ativa e ostensivamente no movimento grevista;
4.º Que seja abolida de fato a exploração do trabalho dos menores de 14 anos nas fábricas;
(...)
6.º Que seja abolido o trabalho noturno das mulheres;
7.º Aumento de 35% nos salários inferiores a 5$000 e de 25% para os mais elevados;
(...)
10.º Jornada de oito horas (...)
("O que reclamam os operários". A Plebe, 21.07.1917. Apud Paulo Sérgio Pinheiro e Michael Hall. A classe operária no Brasil, 1889-1930 – Documentos, 1979.)
As reivindicações dos participantes da greve geral de 1917, em São Paulo, indicam que

(A) os governos da Primeira República aceitavam os movimentos sociais, permitindo o convívio harmonioso e democrático entre as classes sociais.

(B) o Brasil não dispunha de legislação trabalhista e as condições de vida e trabalho dos operários eram, na maioria dos casos, ruins.

(C) os trabalhadores já haviam conquistado o direito pleno de associação e de greve, mas ainda se submetiam a longas jornadas diárias de trabalho.

(D) o Estado assumia o papel de intermediário nas negociações trabalhistas, mantendo neutralidade diante de conflitos sociais.

(E) os sindicatos operários eram rigorosamente proibidos, devendo os trabalhadores reivindicar aumentos salariais diretamente aos patrões.

2 de dezembro de 2011

UNICAMP 1a. Fase (2011)

A denominação de república oligárquica é frequentemente atribuída aos primeiros 40 anos da República no Brasil. Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fazem parte do vocabulário político necessário ao entendimento desse período.
(Adaptado de Maria Efigênia Lage de Resende, “O processo político na Primeira República e o liberalismo oligárquico”, em Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.), O tempo do liberalismo excludente – da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 91.)
Relacionando os termos do enunciado, a chamada “república oligárquica” pode ser explicada da seguinte maneira:

a) Os governadores representavam as oligarquias estaduais e controlavam as eleições, realizadas com voto aberto. Isso sustentava a República da Espada, na qual vários coronéis governaram o país, retribuindo o apoio político dos governadores.

b) Diante das revoltas populares do período, que ameaçavam as oligarquias estaduais, os governadores se aliaram aos coronéis, para que chefiassem as expedições militares contra as revoltas, garantindo a ordem, em troca de maior poder político.

c) As oligarquias estaduais se aliavam aos coronéis, que detinham o poder político nos municípios, e estes fraudavam as eleições. Assim, os governadores elegiam candidatos que apoiariam o presidente da República, e este retribuía com recursos aos estados.

d) Os governadores excluídos da política do “café com leite” se aliaram às oligarquias nordestinas, a fim de superar São Paulo e Minas Gerais. Essas alianças favoreceram uma série de revoltas chefiadas por coronéis, que comandavam bandos de jagunços.